A Kombi que deu a volta ao mundo.
Nasci na França, na cidade de Brest. Em 2005, fui estudar na Argentina e conheci a Iris. Não teve jeito, me apaixonei. Outra paixão começou logo depois, quando ela me contou as histórias de quando rodou pela Argentina com os pais, à bordo de uma Kombi. Resolvemos viajar juntos, da mesma maneira.
Foi quando a Renata entrou nas nossas vidas. Calma, não é o que você está pensando. Renata é o nome da Kombi que a gente comprou. Uma belezinha ano 82, mas com corpinho de... De 82 mesmo. Depois de uma ampla e necessária reforma, que incluiu até uma cama, ela estava pronta, perfeita. Agora era só pegar a estrada e ir de Mar Del Plata, na Argentina, até Nova Iorque e depois voltar. Só? Era uma meta ousada, sabíamos, mas a gente tinha certeza que a Kombi daria conta do recado. Nascia o projeto Amerikando.
Partimos no fim de março. No caminho, fazíamos fotos e camisetas, que vendíamos para ajudar no orçamento. Conhecemos lugares incríveis, recebemos apoio de desconhecidos, famílias nos ofereceram hospedagem. Tenho que admitir que o carisma da Kombi ajudou bastante.
Atravessamos o Brasil. Eu, a Iris e a Renata. Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador, Belém. À noite, a Iris cozinhava, víamos as fotos tiradas durante o dia e preparávamos o trajeto do dia seguinte. Se me permite dizer, é bom demais conviver assim com quem se ama.
Saindo do Brasil - pegue um mapa para acompanhar - passamos pela Venezuela, Colômbia, cruzamos a América Central inteira e chegamos ao México. Sempre maravilhados com a exuberância da natureza e a simpatia das pessoas. Tem muita gente boa por esse mundo afora. Em muitas cidades, fomos recebidos de braços abertos por membros de clubes Volkswagen e fãs da Kombi. Certa vez, o presidente de um desses clubes nos abraçou, dizendo: “a Volkswagen não é uma marca, é uma família”. Ficamos arrepiados.
Nove meses depois da partida, comemoramos o Ano Novo em Nova York. Demorou o dobro do tempo planejado, mas chegamos lá.
Missão cumprida? Mais ou menos. A gente tinha tomado gosto pela coisa.
Decidimos seguir para Brest, na França, minha cidade natal. Sim, ir até a Europa de Kombi!
Atravessamos os Estados Unidos até São Francisco e pegamos um navio. (Você não achou que colocaríamos a Kombi na água, achou?)
Mas não fomos direto para a Europa, desembarcamos no Japão. A Renata tem fome de asfalto, sabe? E se você ficou impressionado, os japoneses ficaram mais ainda. Fomos até entrevistados num programa de TV. Para variar, muito bem recebidos.
De lá para a Rússia, depois Mongólia. Aí vieram os “ão”: Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão e o Irã (que, em Portugal, se chama “Irão”).
E, posso dizer com conhecimento de causa: a Kombi tem admiradores em todos esses lugares.
Percorremos a Turquia e a Grécia. De navio para a Itália, de onde seguimos para a França.
Chegamos a Brest, minha cidade natal, no dia 26 de fevereiro de 2011 e fomos recebidos com festa pela família, amigos e membros dos clubes Volkswagen da região. Foi inesquecível.
Mas você não precisa acreditar na minha palavra. Está tudo registrado no nosso site: amerikando.com.
Dá para dizer que somos um casal de sorte. Conhecemos 25 países, rodamos 75 mil km e a nossa lua de mel durou dois anos. Em junho, nasceu Louis, nosso filho, concebido durante a viagem.
A Kombi continua conosco, faz parte dafamília. E, apesar da idade, ainda nos leva para viajar nas férias e finais de semana. Se bobear, um dia desses você ainda vai ver a Renata passando na porta da sua casa. Onde quer que ela seja.
Franck
Thibaud Köchig